Um milagre da Leitura e Escrita
na vida de uma criança de cinco anos...
Desde
pequenina ouvia muitas histórias contadas por minha avó, meus pais e irmãs, mas
foi a partir dos meus cinco anos que o meu contato com a leitura e
escrita deu-se como forma de alento e me levou a viagens
e brincadeiras que não poderia realizar naquele momento...
Com cinco
anos eu soube, juntamente com minha família e médicos, que eu
era portadora de Esclerodermia, uma doença autoimune, para a qual não
existia tratamento, na época. Como fui uma "menina
sortuda", juntamente com a esclerodermia deu-me hepatite viral (tipo
A), o que me deixou, por seis meses, sem poder fazer movimentos que
qualquer outra criança de minha idade faria. Esses seis meses
mudaram a minha vida: brincava com gibis, livros, "lia imagens"
formando minhas histórias, conhecendo as letras e juntando-as, com a
ajuda de minhas irmãs, aprendendo a ler e escrever. Fui
para a pré-escola sabendo ler e escrever.
Desde a primeira série frequentava semanalmente
a biblioteca da escola pública que frequentei.
Tive ótimos
professores; não me lembro de ter passado por nenhuma situação ruim com a
leitura e a escrita. E até hoje, em todo tempo livre que tenho, leio
muito. É assim que viajo por países que gostaria de conhecer,
participo de guerras entre vampiros e lobisomens, me encanto ou
me entristeço por todas as coisas que meus olhos são capazes de ler e
minha alma de interpretar...
Quero deixar
aqui registrado o nome de uma pessoa muito especial, que contribuiu, e muito,
para que eu fosse uma pessoa apaixonada pela Leitura e Escrita: meu
professor de Língua Portuguesa (de 5ª a 8ª série) na Escola Estadual de
Primeiro Grau "Laudelino de Abreu": Professor ANTONIO GALDINO GRILLO,
conhecido como PROFESSOR NINO. Já na sétima série este professor passou para
minha classe ler "Vidas Secas", de Graciliano Ramos, e fazer um
trabalho muito legal, que envolveu todas as matérias. Na sétima série ele nos
ensinou semiótica! O prazer que ele tinha em ensinar me cativava.
Amigo,
mestre, pai... É assim que ele foi pra mim... Agradeço a ele pelas
broncas, correções que muitas vezes me fizeram chorar, mas que me fizeram
ser apaixonada pela Leitura e Escrita. Obrigada, professor Nino!
Ana Cristina da Silva
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